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Vitamina C - O guia completo para um skincare de respeito

24 de jul. de 2020
10 min de leitura

Atualizado: 2 de set.


Imagem: shutterstock
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No último artigo que publicamos, falamos sobre o poder dos antioxidantes para um skincare mais efetivo, e como não poderia deixar de ser, agora vamos abordar o mais famoso dos ingredientes dessa família: a vitamina C. Um dos antioxidantes mais efetivos e recomendados pelos dermatologistas.


Para você entender todo esse sucesso, é importante dizermos que os benefícios da vitamina C não se restringem apenas à atividade antioxidante, eles vão bem além, e por isso essa vitamina é encontrada com tanta frequência nos dermocosméticos.


Além de sua versatilidade em tantos tipos de tratamento, como envelhecimento, manchas e proteção contra a radiação solar, a vitamina C é especialmente indispensável por um simples motivo: o nosso corpo não é capaz de produzir esse ingrediente vital para o correto funcionamento orgânico da saúde.


Então, você sempre vai precisar ter o cuidado de consumir vitamina C, seja para a sua nutrição, através da ingestão de alimentos ricos nela, seja para os cuidados com a sua pele, aplicando produtos que contenham o ingrediente.



ATIVIDADE ANTIOXIDANTE


Aqui nós não vamos nos alongar muito na explicação, pois no artigo anterior já falamos sobre como um antioxidante funciona na pele e quais são os seus benefícios. Se você ainda não viu, clique aqui para ler.


A vitamina C possui uma forte atividade antioxidante e deve estar presente em nossa pele de maneira abundante, nos protegendo contra a ação prejudicial dos radicais livres liberados em excesso pelo nosso corpo.

Essa liberação exagerada pode ser causada por má alimentação, rotina estressante, tabagismo, consumo de álcool, exposição solar demasiada, ou algumas doenças, principalmente as inflamatórias.


Combater radicais livres é reduzir a velocidade de degeneração celular, impedir a mutação de moléculas como o DNA, evitar a quebra das proteínas sustentadoras da pele e outros tecidos, como o colágeno e a elastina, entre outros benefícios.


Por essa razão, o simples uso de vitamina C, bem como de outras substâncias antioxidantes, já retarda bastante o envelhecimento precoce cutâneo, refreando o processo de flacidez e formação de manchas escuras, podendo ser capaz, inclusive, de reduzir a possibilidade do surgimento de câncer de pele, por exemplo.



PROTEÇÃO CONTRA A RADIAÇÃO SOLAR


Justamente por sua potente atividade antioxidante, a vitamina C é capaz de nos proteger contra os radicais livres gerados pela incidência dos raios UV. Os eritemas e queimaduras causados por essa radiação, causam inflamações na pele, exacerbando ainda mais a liberação desses compostos, que iniciam uma cascata de reações químicas extremamente danosas às células de nosso corpo.


Entretanto, a proteção oferecida pela vitamina C não é a de impedir ou bloquear a passagem do raios UV, mas apenas combater, através de reações químicas, os efeitos colaterais gerados pela exposição à essas frequências, sejam elas artificiais ou solar.


Portanto, o uso de filtros solares não deve ser substituído pela vitamina C, ao contrário, o ideal é que sejam utilizados em conjunto. Pesquisas comprovam que os protetores cosméticos que combinam o uso de vitamina C, possuem um desempenho ainda mais efetivo na proteção contra radiações UV, em comparação ao uso dos filtros não associados.



VITAMINA C NA PRODUÇÃO DE COLÁGENO


A vitamina C desempenha função fundamental na biossíntese de colágeno produzido por nosso corpo, pois participa diretamente da atividade enzimática responsável pelo cruzamento de feixes e estabilização dessa fibra proteica. Assim, sem vitamina C, a fibra de colágeno não consegue se formar por completo, fazendo com que os tecidos do corpo percam a força tensora, tornando-se mais flácidos e rompendo-se com mais facilidade, daí doenças como o escorbuto, que causam sangramentos e hemorragias devido à ruptura de vasos sanguíneos enfraquecidos pela falta de colágeno funcional.


Dessa forma, a presença de vitamina C na pele, além de evitar a degradação de colágeno, é também capaz de estimular a produção de novas fibras, melhorando, assim, o aspecto de rugas, linhas finas e a flacidez geral.


Portanto, é importante que você perceba que não basta apenas consumir ou aplicar peptídeos de colágeno para melhorar a firmeza da pele. Se não houver vitamina C, mesmo que haja a disponibilidade proteica, não haverá produção de novos colágenos funcionais, e o contrário também é válido.



ATIVIDADE CLAREADORA


Não é novidade, você certamente já deve ter ouvido falar na atividade clareadora e iluminadora da vitamina C, e nós vamos te explicar como ela age sobre as manchas.


A vitamina C interage com a enzima responsável pela ativação da produção de melanina, a tirosinase, reduzindo sua atividade e consequentemente a intensidade das manchas escuras. Contudo, a atividade dos melanócitos é bastante complexa, sendo necessária a associação à outras substâncias despigmentantes para um efeito superior.


A vitamina C, é uma ótima opção para uniformizar e iluminar o tom geral da pele, mas para uma ação despigmentante mais potente e localizada pode ser necessário o emprego de uma formulação mais complexa, com mais ativos associados, exclusiva para essa finalidade.


VITAMINA C + VITAMINA E: UMA DUPLA DE SUCESSO


Dois antioxidantes poderosos que se complementam, um solúvel em água, a vitamina C, e outro em gorduras, a vitamina E. Publicações médicas já comprovam o sucesso dessa combinação e atestam que a adição de vitamina E, pode multiplicar em até 4 vezes o poder antioxidante da vitamina C, além de proteger a pele de maneira muito mais abrangente, haja visto que nossas células cutâneas são compostas tanto por água quanto por lipídios.


Não só a vitamina E ajuda a atividade da vitamina C, mas o oposto também é verdadeiro, a vitamina C é capaz de neutralizar formas reativas indesejadas de vitamina E que podem se formar no processo de oxidação lipídica da pele.


Portanto, quando você estiver interessada em comprar um novo produto cosmético que contenha vitamina C, leia o rótulo e procure também pela presença de vitamina E (tocoferol e seus derivados), assim você garante que um dos parâmetros para a eficácia da vitamina C já está sendo atendido.



O JEITO CERTO DE USAR VITAMINA C


Agora que você já entendeu os muitos benefícios da vitamina C, é preciso saber também que existe a forma certa de utilizá-la, caso contrário ela não faz o efeito desejado.


As formas de vitamina C e suas estabilidades (ou instabilidades!)


A forma pura e natural da Vitamina C, o L-ácido ascórbico, é a que possui melhor biodisponibilidade para a pele e o corpo como um todo, sendo, portanto, a forma mais eficaz e a via mais rápida para se alcançar os resultados. Entretanto, essa substância é bastante instável, degradando-se com extrema facilidade e perdendo grande parte de seus benefícios, especialmente quando formulada em meio aquoso, como loções, séruns e géis.


Os principais agentes causadores da degradação da vitamina C são o oxigênio e a luz, seus inimigos número um, por isso, quaisquer cosméticos que possuam vitamina C em sua formulação, devem sempre investir em embalagens opacas ou de cores escuras que filtrem a radiação UV, além de também optarem por designs que evitem o contato direto da fórmula com o ar, como as embalagens pump ou airless.


Frascos conta-gotas ou hidratantes em potes devem ser evitados, mesmo que contenham formas estabilizadas de vitamina C, como ascorbyl glucoside, magnesium ascorbyl phosphate, sodium ascorbyl phosphate e ascorbyl palmitate, por exemplo.



É importante dizer que essas formas estabilizadas de vitamina C também são capazes de entregar os mesmos benefícios do ácido ascórbico natural, possuindo, no entanto, uma menor biodisponibilidade. Dessa maneira, seus efeitos podem não ser tão potentes quanto os da a forma pura, além de normalmente levarem um tempo mais longo para serem notados.

Ainda assim, em algumas situações, essas vitaminas estabilizadas podem ser mais vantajosas do que a pura, já que reduzem significativamente os riscos de sensibilizações e permanecem estáveis na fórmula por mais tempo, resistindo bem ao prazo de validade do produto, tornando o tratamento mais viável.


Adendo:

Falando em tempo de tratamento, é muito importante destacar que quaisquer cuidados com a pele, especialmente em se tratando de rugas e manchas, levam um tempo relativamente longo para apresentar resultados significativos. Isso é normal e obedece o ciclo natural de renovação celular de nosso corpo. Lembre-se que uma mancha, ruga ou flacidez, em geral, levam também muito tempo para surgir em sua pele, portanto, seja paciente e tenha disciplina no uso de cosméticos, isso sim faz muita diferença, nosso corpo gosta de rotina e consistência.


Continuando…

Além disso, como já falamos antes, um produto que carregue a vitamina C como um ingrediente ativo único, não terá um desempenho tão bom quanto uma fórmula mais complexa, envolvendo outros ativos para uma ação sinérgica, seja antienvelhecimento ou protetora. Assim como na natureza, um composto sempre terá efeito melhor quando em conjunto com outros, pois normalmente todos eles atuam de forma colaborativa em um ciclo funcional integrado.


O pH ideal é fundamental


Como você pode deduzir pelo nome da substância pura (L-ácido ascórbico), vitamina C é um ácido, e por isso, para estar em seu estado ótimo de ação e absorção, é necessário que o pH do produto esteja em torno de 3,5 ou menos, o que é considerado um tanto quanto ácido para os parâmetro normais da pele, que possui pH em torno de 5. Inclusive, essa é a razão de produtos com a forma pura de vitamina C frequentemente causarem irritações e sensibilizações em muitas pessoas, especialmente as que já possuem peles sensíveis ou com tendências a atopias, dermatites e alergias.


Assim, de nada adianta ter uma fórmula com alta concentração de vitamina C pura e não ter o pH certo de ação, pois ela simplesmente não funcionará.


As formas estabilizadas de vitamina C já não necessitam de um pH tão baixo de ação, podendo estar presentes em uma fórmula mais suave, não apresentando tão comumente as reações adversas típicas de um produto ácido, como formigamento, pinicação e vermelhidão.


Concentração é um fator importante


Quando falamos nos cuidados com vitamina C, altas concentrações, como 10, 15 e 20% são importantes. Estudos demonstram que uma concentração de 8% é o mínimo necessário para a obtenção de um desempenho biologicamente significativo. Entretanto, acima de 20%, o aumento nos efeitos já começam a não apresentar variações importantes.


Para as formas estabilizadas da vitamina C, concentrações um pouco mais elevadas também são importantes, porém, como foram quimicamente modificadas, algumas possuem maior afinidade com a pele e melhor absorção em relação à forma pura, não sendo sempre necessário o emprego de tão altas quantidades da substância no produto.


Mesmo em pequenas doses diárias, a vitamina C também é capaz de apresentar benefícios antioxidantes e anti-idade, contudo, o tempo de ação será bem mais longo e os efeitos não serão tão impactantes quanto o uso das concentrações mais elevadas. Então, a forma de aplicação depende também das condições da sua pele, se possui muitas machas escuras e rugas, ou se apresenta apenas problemas de mais fácil resolução.


COMO ESCOLHER A MELHOR FORMA DE VITAMINA C


Tudo vai depender das características de sua pele e de sua rotina de skincare. Se sua pele não é sensível e você está buscando um efeito mais rápido e potente, então você pode escolher produtos que tenham concentrações mais elevadas de ácido ascórbico puro, estando sempre atenta, porém, ao pH da fórmula que deve ser mais ácido.


Já se sua pele é sensível, nesse caso é importante que você procure por outras formas de vitamina C, como as estabilizadas que citamos anteriormente, pois a chance de apresentar alguma sensibilização será menor, e isto pela simples razão de oferecer boa atividade em uma fórmula com pH mais adequado ao da pele.


De toda maneira, independente da forma de vitamina C, você sempre precisa estar atento ao tipo de embalagem do produto, que deve ser sempre escura ou opaca, preferencialmente sem contato da fórmula com o ar, além de tomar o cuidado de armazenar o produto sempre ao abrigo da luz, em local seco e fresco, a fim de evitar a degradação do ingrediente. Um outro ponto, é que você também deve procurar por outros ingredientes que trabalhem em um efeito sinérgico com a vitamina C, como outras vitaminas antioxidantes, polifenóis e peptídeos, por exemplo.


A vitamina C em ingredientes naturais


Queremos falar também sobre a presença da vitamina C nos ingredientes naturais especialmente nos óleos vegetais.


O L-ácido ascórbico, forma pura e natural da vitamina C, possui muito alta afinidade com a água, sendo bastante solúvel neste meio, por conta de suas características químicas moleculares. Por conta desta mesma razão, a vitamina C natural é praticamente insolúvel em lipídios, e mesmo quando uma planta, ou fruto, seja rico nela, essa vitamina se encontra apenas na parte aquosa das células vegetais, na polpa, não sendo extraída junto com os óleos das sementes, por não possuir afinidade com gorduras. Logo, pesquisas realizadas em óleos e manteigas como rosa mosqueta, cupuaçu, abacate, etc, não indicam a presença de vitamina C em seus perfis lipídicos.


Por outro lado, em sumos ou extratos naturais aquosos e glicólicos, a vitamina C pode ser carreada junto, porém, devido a sua alta instabilidade no meio aquoso, é provável que seus benefícios não durem por muito tempo no produto, daí a importância de processos químicos de transformação, para poder manter a vitamina ativa durante um longo período de tempo.



Preste atenção à mudanças de coloração no produto


Um produto com vitamina C em boas condições deve ser incolor, ou ter uma leve cor palha, assim, se você notou que seu produto está amarelado, alaranjado ou marrom, ou ainda, percebeu um cheiro estranho pungente, semelhante a odor rançoso, significa que a vitamina oxidou e provavelmente perdeu suas funções. Nesse caso, além de não entregar benefícios à pele, os subprodutos da oxidação da vitamina C podem causar irritações, sendo melhor suspender o uso e descartar o produto.


A vitamina C é um ingrediente maravilhoso e multi-benefícios, indispensável para uma pele mais bonita e jovem, mas como você pode perceber, trabalhar com ela não é tarefa simples. Ainda assim, com o avanço da ciência e muito estudo, é possível desenvolver produtos verdadeiramente eficazes e gentis com a pele.


Portanto, a lição que fica é: esteja sempre atento ao rótulo de seus cosméticos, informe-se e consulte sempre um dermatologista para avaliar sua pele e as melhores opções de produtos para a sua necessidade.




Referências:

Telang, P. S. (2013). Vitamin C in dermatology. Indian Dermatology Online Journal, 4(2), 143–146. https://doi.org/10.4103/2229-5178.110593


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Pullar, J. M., Carr, A. C., & Vissers, M. C. M. (2017). The roles of vitamin C in skin health. Nutrients, 9(8), 866. https://doi.org/10.3390/nu9080866


Kawashima, S., Funakoshi, T., Sato, Y., Saito, N., Ohsawa, H., Kurita, K., Nagata, K., Yoshida, M., & Ishigami, A. (2018). Protective effect of pre- and post-vitamin C treatments on UVB-irradiation-induced skin damage. Scientific Reports, 8, 16199. https://doi.org/10.1038/s41598-018-34530-4


Lin, F.-H., Lin, J.-Y., Gupta, R. D., Tournas, J. A., Burch, J. A., Selim, M. A., Monteiro-Riviere, N. A., Grichnik, J. M., Zielinski, J., & Pinnell, S. R. (2005). Ferulic acid stabilizes a solution of vitamins C and E and doubles its photoprotection of skin. Journal of Investigative Dermatology, 125(4), 826–832. https://doi.org/10.1111/j.0022-202X.2005.23768.x





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