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O que significa pH fisiológico?

  • 1 de jul.
  • 5 min de leitura

Nota: Este artigo foi revisado e atualizado em sua data de republicação, incorporando ajustes de conteúdo e novas referências científicas. Texto publicado originalmente em 27 de Outubro de 2017.



Você provavelmente já encontrou a expressão "pH fisiológico" no rótulo de um sabonete, shampoo ou outro cosmético. À primeira vista, pode parecer apenas um detalhe técnico, mas a verdade é que essa característica exerce um papel importante na saúde e na beleza da pele.


Poucas pessoas sabem exatamente o que isso significa e por que faz tanta diferença. Vamos explicar.

Fitas de teste de pH coloridas em um recipiente transparente, sobre fundo branco minimalista; tons de amarelo, bege e laranja.
Imagem: Shutterstock

COMEÇANDO PELO COMEÇO: O QUE É pH?


Antes de tudo, é importante entendermos o significado dessas duas letrinhas. pH é a sigla para potencial hidrogeniônico, um índice químico utilizado para medir o grau de acidez, neutralidade ou alcalinidade de uma solução.

A escala de pH varia de 0 a 14:

  • Ácido: valores menores que 7;

  • Neutro: valor igual a 7;

  • Alcalino (ou básico): valores maiores que 7.


Quanto menor o pH, mais ácido é o meio; quanto maior, mais alcalino.


E QUAL É O pH DA PELE?


A pele humana possui um pH naturalmente levemente ácido, variando, em adultos, entre aproximadamente 4,5 e 5,5, dependendo da região do corpo.

É justamente esse valor que chamamos de pH fisiológico. O termo fisiológico significa aquilo que é natural ao funcionamento normal do organismo, ou seja, o pH que o próprio corpo produz e mantém para que a pele desempenhe corretamente suas funções.


Esse ambiente levemente ácido favorece o funcionamento de diversas enzimas essenciais para a homeostase, o equilíbrio natural da pele, além de acelerar a recuperação da barreira cutânea quando ela é danificada e aumentar sua resistência a agentes potencialmente irritantes, como sabões e detergentes presentes no dia a dia.


DE ONDE VEM O pH ÁCIDO DA PELE?


A acidez da pele é resultado de diversos processos naturais do organismo. Ela é influenciada pelas secreções das glândulas sebáceas e sudoríparas, pela composição lipídica da pele, pelos fatores naturais de hidratação, por metabólitos como o ácido láctico, pelos ácidos graxos livres, colesterol e também por fatores individuais, como idade, sexo e predisposição genética. Esses fatores trabalham em conjunto para manter um ambiente favorável ao bom funcionamento da pele.


Além disso, esse microambiente serve de habitat para uma microbiota saudável, o conjunto de microrganismos benéficos que vivem naturalmente sobre nossa pele. Quando equilibrada, essa microbiota ajuda a impedir a proliferação de bactérias, fungos e outros microrganismos potencialmente prejudiciais, fortalecendo a barreira de proteção cutânea.


O QUE PODE ALTERAR O pH DA PELE?


Diversos fatores internos podem influenciar o pH cutâneo, como alterações hormonais, estado emocional e o uso de alguns medicamentos, como antibióticos.


Entretanto, um dos fatores que mais interfere nesse delicado equilíbrio é a nossa rotina de cuidados com a pele e os produtos que utilizamos diariamente.


Quando o pH da pele é alterado repetidamente, sua recuperação pode levar horas ou até dias, dependendo da intensidade da alteração. Se isso acontece com frequência, cria-se um ciclo de desequilíbrio que compromete o funcionamento da barreira cutânea, favorece irritações e dificulta que a pele permaneça saudável.


Por esse motivo, é importante ter atenção aos produtos utilizados no dia a dia.


Alguns desodorantes, por exemplo, utilizam ingredientes como bicarbonato de sódio e hidróxido de magnésio, cujo pH costuma variar entre 8 e 10, valores bastante superiores ao pH fisiológico da pele. Em algumas pessoas, especialmente com o uso contínuo, isso pode favorecer irritações e sensibilizações.


O mesmo acontece com os sabonetes em barra, inclusive muitos sabonetes naturais. Em razão da própria reação química utilizada em sua fabricação, esses produtos normalmente apresentam pH entre 9 e 11. Já explicamos esse assunto com mais detalhes em outro artigo sobre por que os sabonetes naturais em barra nem sempre são a melhor opção para a pele.


O IMPACTO NO MICROBIOMA


Além de afetar diretamente as células da pele, alterações persistentes do pH também prejudicam o equilíbrio do microbioma cutâneo.

A exposição frequente a produtos com pH incompatível pode favorecer a proliferação de microrganismos oportunistas e reduzir a atividade das bactérias benéficas, contribuindo para problemas como acne, dermatites, descamação, odores desagradáveis nas axilas e nos pés, e comprometimento da função barreira.


Esse processo acaba formando um ciclo vicioso: quanto mais o microbioma perde seu equilíbrio, mais o funcionamento da própria pele também é prejudicado, já que ambos trabalham em estreita interação para manter a saúde cutânea.


COMO MANTER O pH IDEAL?


A principal estratégia é escolher produtos formulados com pH igual ou muito próximo ao pH fisiológico da pele. Sempre que possível, procure essa informação na embalagem ou nas especificações do fabricante.


Além de preservar a barreira cutânea, uma formulação bem desenvolvida pode tornar sua rotina mais simples e eficiente, reduzindo a necessidade de utilizar diversos produtos para recuperar um equilíbrio que poderia ter sido preservado desde o início.


pH NEUTRO TAMBÉM É UMA BOA OPÇÃO?


Muitas pessoas acreditam que um produto com pH neutro seja automaticamente o mais adequado para a pele. No entanto, vale lembrar que pH neutro significa pH igual a 7, enquanto o pH fisiológico da pele é naturalmente mais ácido, entre aproximadamente 4,5 e 5,5.


Embora um produto de pH neutro seja menos agressivo do que um produto alcalino, ele ainda promove uma alteração temporária do ambiente natural da pele. Em geral, essa recuperação ocorre mais rapidamente do que após o uso de produtos alcalinos, mas ainda assim representa um desequilíbrio.

Por isso, sempre que possível, a melhor escolha continua sendo produtos formulados com pH próximo ao fisiológico.


A pele possui mecanismos naturais extremamente sofisticados para manter seu equilíbrio. Quando utilizamos produtos compatíveis com esse funcionamento, favorecemos a integridade da barreira cutânea, preservamos o microbioma e reduzimos a necessidade de compensar danos causados por produtos inadequados. Em outras palavras, respeitar o pH fisiológico é uma das formas mais simples e eficazes de cuidar da saúde da pele a longo prazo.


REFERÊNCIAS

Leonardi, G. R., Gaspar, L. R., & Campos, P. M. B. G. M. (2002). Estudo da variação do pH da pele humana exposta à formulação cosmética acrescida ou não das vitaminas A, E ou de ceramida. Anais Brasileiros de Dermatologia, 77(5), 563–569.


Schmid-Wendtner, M. H., & Korting, H. C. (2006). The pH of the skin surface and its impact on the barrier function. Skin Pharmacology and Physiology, 19(6), 296–302.


Ali, S. M., & Yosipovitch, G. (2013). Skin pH: From basic science to basic skin care. Acta Dermato-Venereologica, 93(3), 261–267. https://doi.org/10.2340/00015555-1531 


Choi, E. H., Man, M.-Q., & Lee, S. H. (2023). Importance of stratum corneum acidification to restore skin barrier function. International Journal of Molecular Sciences, 24(4), 3770.


Kumar, P., et al. (2023). Acid mantle: What we need to know. Indian Journal of Dermatology, Venereology and Leprology, 89(5), 675–683.


Mijaljica, D., et al. (2025). The origin, intricate nature, and role of the skin surface acid mantle. Cosmetics, 12(1), 24. https://doi.org/10.3390/cosmetics12010024 


Ali, S. M., & Yosipovitch, G. (2013). Skin pH: From basic science to basic skin care. Acta Dermato-Venereologica, 93(3), 261–267


Del Rosso, J. Q. (2025). Skin 101: Understanding the fundamentals of skin barrier physiology. Journal of Clinical and Aesthetic Dermatology, 18(1), 28–36



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Prazer, Stefânia!
Sou a criadora do Entre a Pele. Química, especialista em cosmetologia e sustentabilidade, compartilho os bastidores da ciência do skincare, baseado em evidências. Também falo um pouco sobre estilos de vida, porque tudo está conectado. Mais sobre mim...  
 

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