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EDTA | Será que esse ingrediente cosmético é mesmo um vilão?

  • 22 de jul.
  • 4 min de leitura

Nota: Este artigo foi revisado e atualizado em sua data de republicação, incorporando ajustes de conteúdo e novas referências científicas. Texto publicado originalmente em 15 de Agosto de 2018.

O que é e qual sua função


EDTA, sigla para ethylenediaminetetraacetic acid (ácido etilenodiaminotetracético), também conhecido como edetic acid, é um agente quelante orgânico capaz de sequestrar íons metálicos, como cálcio, magnésio, cobre, ferro e manganês, encontrados especialmente na água ou provenientes das próprias matérias-primas utilizadas em uma formulação. Para isso, o EDTA forma complexos estáveis com esses íons, reduzindo sua reatividade e minimizando sua interação com os demais componentes de formulações cosméticas, farmacêuticas e alimentícias.


Como e EDTA contribui para uma formulação cosmética


Ao complexar esses metais, o EDTA ajuda a prevenir diversas reações indesejadas, como:


  • Alterações no odor de fragrâncias e de outras matérias-primas;

  • Mudanças na coloração dos produtos;

  • Degradação de ingredientes naturais, como óleos e extratos vegetais;

  • Inativação de substâncias ativas, como filtros solares, conservantes e fármacos;

  • Oxidação de vitaminas, como a vitamina A (retinol) e a vitamina C (ácido ascórbico), comprometendo suas funções originais.


Outro benefício importante é a manutenção da eficiência de limpeza e espumação de sabonetes e shampoos. Isso ocorre principalmente em regiões onde a água é considerada dura, ou seja, rica em íons cálcio e magnésio. Esses minerais reagem com os surfactantes presentes nas formulações, formando compostos insolúveis que reduzem sua capacidade de limpeza e formação de espuma.


Com o uso do EDTA, é possível melhorar a estabilidade das formulações, contribuindo para que os produtos mantenham suas características e segurança por mais tempo, desde que armazenados em condições adequadas. E isso é especialmente importante porque, normalmente, utilizamos um mesmo produto por semanas ou até meses antes que ele seja totalmente consumido.


Segurança


Nas concentrações normalmente utilizadas em produtos cosméticos (geralmente entre 0,01% e 0,1%), o EDTA apresenta baixa toxicidade e baixo potencial irritante, sendo considerado um ingrediente seguro pelas principais avaliações toxicológicas disponíveis.


Um estudo publicado no International Journal of Toxicology avaliou que, embora a molécula de EDTA praticamente não atravesse a pele íntegra, ela pode aumentar a permeação cutânea de determinados compostos ao promover a quelação do cálcio presente na camada mais superficial da pele. Esse processo pode alterar temporariamente alguns mecanismos de sinalização celular envolvidos na renovação epidérmica, sem, contudo, provocar ruptura ou desestabilização da barreira cutânea.


Assim, eventuais preocupações relacionadas ao uso do EDTA estariam relacionadas à possibilidade teórica de aumentar a permeação de outras substâncias presentes na mesma formulação, e não à toxicidade do EDTA propriamente dito.


Observações relevantes


Também é importante considerar que diversos ingredientes cosméticos podem modificar a permeabilidade da pele. Alguns óleos vegetais e componentes naturalmente presentes em óleos essenciais, por exemplo, também podem favorecer a penetração de determinadas substâncias sem que isso, por si só, torne esses ingredientes inseguros.


Além disso, considerando as concentrações normalmente utilizadas em cosméticos e as avaliações de segurança atualmente disponíveis, os benefícios tecnológicos do EDTA tendem a superar amplamente os riscos potenciais associados ao seu uso. Em um produto bem formulado e seguro, que não contenha ingredientes comprovadamente tóxicos, a eventual capacidade do EDTA de favorecer a permeação cutânea dificilmente representa um risco relevante para a saúde.


Utilizar um produto em boas condições de conservação é fundamental tanto para sua eficácia quanto para a saúde da pele. Ingredientes degradados, inclusive os de origem natural, podem originar subprodutos capazes de causar irritação, sensibilização ou reações alérgicas. Nesse contexto, o papel do EDTA em preservar a estabilidade da formulação torna-se bastante importante. Além disso, grande parte das evidências sobre o aumento da permeação cutânea foi obtida em condições experimentais específicas, frequentemente utilizando concentrações superiores às normalmente empregadas em cosméticos ou modelos laboratoriais que não reproduzem integralmente as condições reais de uso.


Riscos ambientais


Do ponto de vista ambiental, a principal limitação do EDTA não está relacionada à sua toxicidade, mas à sua baixa biodegradabilidade. Por ser uma molécula bastante estável, parte do composto quelado pode persistir no ambiente aquático e influenciar a mobilidade de alguns metais. Apesar disso, as avaliações realizadas por órgãos regulatórios internacionais indicam que, nas condições atuais de uso, o EDTA apresenta baixo risco ambiental. Ainda assim, por existirem agentes quelantes mais biodegradáveis disponíveis atualmente, muitas empresas vêm optando por alternativas consideradas mais sustentáveis.


Outros Nomes para o EDTA

Existem diversas formas químicas pertencentes à família dos EDTAs. Entre elas, as mais amplamente utilizadas em produtos cosméticos são o EDTA dissódico (Disodium EDTA) e o EDTA tetrassódico (Tetrasodium EDTA).


Aviso: As informações sobre segurança apresentadas neste texto referem-se ao ingrediente em sua forma isolada, com base nos dados científicos disponíveis para essa condição. Quando incorporado a uma formulação cosmética, o perfil de segurança de um ingrediente pode diferir em função de diversos fatores, incluindo sua concentração, o pH da formulação, as interações com outros ingredientes, a estabilidade química, a biodisponibilidade, a absorção cutânea e as condições de uso do produto, entre outros.


Por esse motivo, as informações aqui apresentadas não devem ser interpretadas como uma avaliação da segurança de um produto cosmético acabado. A determinação do perfil de segurança e da adequação de uso de uma formulação deve considerar a composição completa do produto e, quando aplicável, ser fundamentada em estudos e avaliações conduzidos de acordo com os métodos científicos e os requisitos regulatórios pertinentes.



Referências:

Cherian P, Bergfeld WF, Belsito DV, et al. EDTA and Salts. International Journal of Toxicology. 2023;42(3_suppl):32S-36S. doi:10.1177/10915818231204270 Cosmetic Ingredient Review Expert Panel. (2023). Safety assessment of EDTA, calcium disodium EDTA, diammonium EDTA, dipotassium EDTA, disodium EDTA, TEA-EDTA, tetrasodium EDTA, tripotassium EDTA, trisodium EDTA, and trisodium HEDTA as used in cosmetics. International Journal of Toxicology, 42(Suppl. 3), 32S–36S. https://doi.org/10.1177/10915818231204270 De Coster, Sam, van Larebeke, Nicolas, Endocrine-Disrupting Chemicals: Associated Disorders and Mechanisms of Action, Journal of Environmental and Public Health, 2012, 713696, 52 pages, 2012. https://doi.org/10.1155/2012/713696


Environment and Climate Change Canada. (2024). Screening assessment: EDTA and its salts. Government of Canada. https://www.canada.ca/en/environment-climate-change/services/evaluating-existing-substances/screening-assessment-edta-salts.html 


National Center for Biotechnology Information. (2025). PubChem Compound Summary for CID 8759, Edetic acid (EDTA). PubChem. https://pubchem.ncbi.nlm.nih.gov/compound/8759 


National Center for Biotechnology Information. (2025). PubChem Compound Summary for CID 6049, Disodium EDTA. PubChem. https://pubchem.ncbi.nlm.nih.gov/compound/6049 




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Prazer, Stefânia!
Sou a criadora do Entre a Pele. Química, especialista em cosmetologia e sustentabilidade, compartilho os bastidores da ciência do skincare. Também falo um pouco sobre estilos de vida, porque tudo está conectado. Mais sobre mim...  
 

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