top of page

Óleo de coco: o guia científico definitivo para cabelos e pele

  • 21 de jul.
  • 8 min de leitura

Atualizado: há 6 dias


Nota: Este artigo foi revisado e atualizado em sua data de republicação, incorporando ajustes de conteúdo e novas referências científicas. Texto publicado originalmente em 28 de Fevereiro de 2018.

Famoso e onipresente, o óleo de coco já estabeleceu seu reinado em praticamente todos os lugares, desde alimentos e bebidas, até na pele e nos cabelos. Mocinho ou vilão, os estudiosos ainda não chegaram em um consenso, já que o ingrediente possui prós e contras e, só há pouco é que tem despertado a atenção para pesquisas e estudos científicos mais aprofundados sobre seus riscos e benefícios.

Imagem: Shutterstock
Imagem: Shutterstock

Como este é um blog sobre beleza, no post de hoje, vamos, então, abordar mais detalhadamente as propriedades do óleo de coco e seus efeitos nos cabelos e na pele, sob o ponto de vista científico.

Entendendo um Pouco Mais Sobre sua Química

O óleo de coco é normalmente extraído por processo de prensagem a frio a partir da polpa do fruto maduro oriundo do coqueiro de nome botânico Cocos Nucifera. Trata-se de uma mistura lipídica complexa composta, majoritariamente, por ácidos graxos e triglicerídeos. Uma das principais características desse óleo, que o torna tão especial, é a sua composição química com elevada concentração de ácidos graxos saturados de cadeia média - variando entre 50 a 60% da composição total de gorduras - sendo os principais: ácido láurico, ácido cáprico e ácido caprílico.

E o que são ácidos graxos?

Ácidos graxos são hidrocarbonetos (compostos orgânicos formados exclusivamente por átomos de carbono e hidrogênio) predominantemente polares que possuem, em sua estrutura molecular, um grupamento químico chamado ácido carboxílico (OOH).

Tais ácidos, possuem características hidrofóbicas (repelem a água) e são, portanto, classificados como lipídeos (gorduras).

O que as palavras 'saturado' e 'instaurado' significam?

Os ácidos graxos podem ter em sua estrutura molecular ligações simples (conhecidas como saturadas) ou ligações duplas (conhecidas como insaturadas).

  • Ligação Saturada: contém um número suficiente de átomos de hidrogênio capazes de saturar (preencher por completo) todos os átomos de carbono, possuindo por isso, apenas ligações simples entre os mesmos. Ex.: ácidos láurico, cáprico, caprílico, mirístico, palmítico e esteárico.

Figura 1: Exemplificação de uma ligação saturada entre átomos de carbono.

Acima: desenho da fórmula estrutural. Abaixo: fórmula molecular com representação dos elétrons.

  • Ligação Insaturada: não contém átomos de hidrogênio em quantidade suficiente para saturar todos os átomos de carbono que, portanto, formam ligação duplas entre si. Ex.: ácido oleico, linoleico, linolênico e palmitoleico.

Figura 2: Exemplificação de uma ligação insaturada entre átomos de carbono. Acima: desenho da fórmula estrutural. Abaixo: fórmula molecular com representação dos elétrons.

Qual a importância dos tamanhos de suas cadeias?

  1. Cadeia Curta: possuem em sua estrutura química um número de até 6 átomos de carbono.

  2. Cadeia Média: estrutura com 8 a 14 átomos de carbono

  3. Cadeia Longa: moléculas com até 14 carbonos

  4. Cadeia Muito Longa: moléculas que possuem mais de 22 carbonos.

Cadeias curtas e médias possuem tamanhos reduzidos de moléculas e por isso penetram na pele de maneira mais efetiva do que as estruturas longas ou muito longas. Já a presença de ligações insaturadas, por causarem uma angulação no formato da molécula química, têm sua permeação cutânea dificultada.

Para ilustrar melhor, vamos a alguns exemplos de ácidos graxos mais comumente encontrados em óleos vegetais.

  • Ácido Láurico (C12H24O2): Molécula de tamanho relativamente pequeno e conformação linear com boa penetração em pele e cabelos. Presente em grande quantidade nos óleos de coco, palma e babaçu.

Figura 3: Lauric Acid Chemical Structure Depiction Fonte: PubChem, 2026

  • Ácido Linoleico (C18H32O2): Molécula de tamanho grande e conformação angular de difícil penetração em pele e cabelos. Encontrada em grande quantidade nos óleos de girassol, semente de uva, maracujá e manteiga de karité, por exemplo .


Figura 4: Linoleic Acid Chemical Structure Depiction Fonte: Adaptada de PubChem


Mecanismo de Ação nos Cabelos

Imagem: Shutterstock
Imagem: Shutterstock

Introdução às Estruturas do Fio de Cabelo Humano

Pra compreendermos melhor como o óleo de coco interage com os cabelos, precisamos, antes de tudo, entender e visualizar como é a estrutura dos fios.

Um fio de cabelo humano é basicamente constituído por quatro estruturas:

  1. Cutícula: parte mais externa do fio composta principalmente por queratina em forma de escamas dispostas de maneira sobrepostas umas às outras (como as escamas de um peixe), envolvendo todo o córtex.

  2. Córtex: parte interna adjacente às escamas, também é formado majoritariamente por células cilíndricas proteicas, dispostas de forma longitudinal e densamente unidas. É onde se encontra a maior parte da massa proteica da fibra.

  3. Medula: região porosa localizada próxima ao centro da fibra capilar e presente em alguns tipos de cabelos com diâmetros mais espessos.

  4. Cemento Intercelular: substância de característica lipídica que mantém a coesão entre as células de queratina, formando um caminho de difusão dentro das fibras.

Figura 5: Camadas de um fio de cabelo Fonte: Reproduzido de Stanić et al. (2015).


Como o óleo de coco interage com as estruturas do cabelo?

Estudos mostram que os ácidos graxos saturados de cadeia média (láurico, cáprico e caprílico) presentes no óleo de coco conseguem penetrar de forma mais eficaz na cutícula e no córtex dos cabelos, difundindo-se através do cemento intercelular. Com isso, ajudam a reduzir a penetração excessiva de água na fibra capilar, diminuindo o inchaço e os danos estruturais. Dessa forma, a perda proteica dos fios é consideravelmente reduzida, tanto em cabelos saudáveis quanto em cabelos descoloridos ou quimicamente tratados. Além disso, seu efeito lubrificante reduz o atrito durante a escovação ou ao pentear os cabelos, diminuindo a tensão mecânica e a consequente quebra dos fios.

Outros óleos vegetais, assim como o óleo mineral, também foram estudados para efeito comparativo. No entanto, por não apresentarem o mesmo perfil lipídico, caracterizado pela elevada concentração de ácidos graxos saturados de cadeia média, obtiveram resultados inferiores aos do óleo de coco, especialmente em relação à penetração na fibra capilar e à prevenção da perda proteica.


Além dos benefícios proporcionados aos fios, o óleo de coco também pode exercer efeitos positivos sobre o couro cabeludo. Alguns estudos sugerem que determinados ácidos graxos presentes no óleo podem contribuir para um ambiente mais saudável do folículo piloso e apresentar potencial para modular mecanismos envolvidos na queda capilar, incluindo a atividade da enzima 5-alfa-redutase. Essa enzima converte a testosterona em di-hidrotestosterona (DHT), hormônio associado à miniaturização dos folículos em indivíduos predispostos à alopecia androgenética.

Ainda, em decorrência da elevada concentração de ácido láurico - posteriormente convertido pelo organismo em monolaurina - o óleo de coco tem demonstrado atividade contra alguns microrganismos e parasitas. Estudos sugerem seu potencial auxiliar no combate à infestação por piolhos e lêndeas, bem como sua atividade antifúngica pode contribuir para o controle de dermatoses como a caspa.

Levando em consideração todas essas informações e o fato de ser um ingrediente de baixo custo e fácil aplicação, podemos concluir que o óleo de coco é um ingrediente bastante interessante para auxiliar na manutenção da saúde e na melhora do aspecto dos cabelos, podendo ser incorporado como mais uma etapa de um cronograma capilar, especialmente em casos de fios ressecados ou danificados.

Mecanismo de Ação na Pele

Imagem: Shutterstock
Imagem: Shutterstock

Introdução às Estruturas da Pele Humana

A pele é o maior órgão do corpo humano e reveste toda a superfície do organismo, atuando como interface entre o corpo e o meio externo. Sua principal função é formar uma barreira de proteção contra a perda excessiva de água, a entrada de microrganismos patogênicos e diversos agentes físicos, químicos e ambientais.

Sendo um elemento de tão grande importância em nosso organismo, vamos, primeiramente, explicar brevemente sua estrutura básica e funcionamento para entendermos como ocorre a interação entre o óleo de coco e esse órgão.

Epiderme: camada mais externa da pele, formada por um epitélio estratificado pavimentoso queratinizado, constituído principalmente por queratinócitos organizados em diferentes estágios de diferenciação. Sua principal função é formar a barreira cutânea, reduzindo a perda de água transepidermal e protegendo o organismo contra agentes externo

Derme: camada localizada logo abaixo da epiderme, constituída predominantemente por tecido conjuntivo rico em fibras de colágeno e elastina. Nela encontram-se vasos sanguíneos, nervos, glândulas, folículos pilosos e fibroblastos, células responsáveis pela produção e manutenção da matriz extracelular. Entre suas principais funções estão fornecer sustentação à pele, participar da cicatrização, regular a temperatura corporal e permitir a percepção de estímulos sensoriais.

Hipoderme (tecido subcutâneo): camada mais profunda, formada principalmente por tecido adiposo. Suas principais funções incluem reserva energética, isolamento térmico, proteção mecânica contra impactos e sustentação das estruturas localizadas acima dela.

Figura 6: Layer of your Skin. Fonte: American Academy of Dermatology

Como o Óleo de Coco atua na Pele


Estudos demonstram que a aplicação tópica do óleo de coco pode melhorar a hidratação da pele ao reduzir a perda de água transepidermal (TEWL), favorecendo a integridade da barreira cutânea. Além disso, devido à elevada concentração de ácido láurico, o óleo de coco apresenta boa afinidade com os lipídios da pele e propriedades emolientes que contribuem para a manutenção da elasticidade cutânea. Estudos experimentais também sugerem que seu uso pode favorecer o processo de cicatrização, estimulando a atividade dos fibroblastos e a deposição de colágeno durante o reparo tecidual.

Ainda, devido à elevada concentração de ácido láurico - posteriormente convertido pelo organismo em monolaurina - o óleo de coco apresenta atividade contra diversos microrganismos, incluindo bactérias, fungos e alguns vírus. Por essa razão, seu uso pode contribuir para manter um microbioma cutâneo mais saudável, auxiliando no controle da proliferação de alguns microrganismos associados a infecções superficiais da pele.

Observação importante: justamente pela elevada concentração de ácidos graxos saturados, o óleo de coco é frequentemente classificado como um ingrediente de potencial comedogênico moderado. Entretanto, esse efeito pode variar bastante entre indivíduos e depende do tipo de pele, da formulação utilizada e da frequência de aplicação. Assim, pessoas com tendência à acne ou ao desenvolvimento de comedões devem fazer um uso mais cauteloso, especialmente na região da face, colo e costas.

Dessa forma, o óleo de coco pode ser considerado um ingrediente bastante interessante para o cuidado da pele, especialmente quando utilizado como agente emoliente e auxiliar na manutenção da barreira cutânea, com benefícios bem documentados para a melhora da hidratação e do conforto da pele seca. Considere mais esse cuidado natural em sua rotina de skincare.


Referências

Liu, J., Shimizu, K., & Kondo, R. (2009). Anti-androgenic activity of fatty acids. Chemistry & Biodiversity, 6(4), 503–512. https://doi.org/10.1002/cbdv.200800125


National Center for Biotechnology Information. (s.d.). Capric acid. PubChem Compound Summary for CID 2969. https://pubchem.ncbi.nlm.nih.gov/compound/2969


National Center for Biotechnology Information. (s.d.). Caprylic acid. PubChem Compound Summary for CID 379. https://pubchem.ncbi.nlm.nih.gov/compound/379


National Center for Biotechnology Information. (s.d.). Lauric acid. PubChem Compound Summary for CID 3893. https://pubchem.ncbi.nlm.nih.gov/compound/3893 


National Center for Biotechnology Information. (s.d.). Linoleic acid. PubChem Compound Summary for CID 5280450. https://pubchem.ncbi.nlm.nih.gov/compound/5280450 


Asenov, A., Oliveira, F. A., Speare, R., Liesenfeld, O., Hengge, U. R., & Heukelbach, J. (2010). Efficacy of chemical and botanical over-the-counter pediculicides available in Brazil, and off-label treatments, against head lice ex vivo. Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology, 24(6), 689–693. https://doi.org/10.1111/j.1365-4632.2009.04335.x


Huang, W.-C., Tsai, T.-H., Chuang, L.-T., Li, Y.-Y., Zouboulis, C. C., & Tsai, P.-J. (2014). Anti-bacterial and anti-inflammatory properties of capric acid against Propionibacterium acnes: A comparative study with lauric acid. Journal of Dermatological Science, 73(3), 232–240. https://doi.org/10.1016/j.jdermsci.2013.10.010


Kaushik V, Chogale R, Mhaskar S. Single hair fiber assessment techniques to discriminate between mineral oil and coconut oil effect on hair physical properties. J. Cosmet. Dermatol. 2021; 20: 1306–1317. https://doi.org/10.1111/jocd.13724


Kundu D, Mandal L, Sen G. Prevalence of Tinea capitis in school going children in Kolkata, West Bengal. J Nat Sci Biol Med. 2012 Jul;3(2):152-5. doi: 10.4103/0976-9668.101894. PMID: 23225977; PMCID: PMC3510909. Lin, T.-K., Zhong, L., & Santiago, J. L. (2018). Anti-inflammatory and skin barrier repair effects of topical application of some plant oils. International Journal of Molecular Sciences, 19(1), Article 70. https://doi.org/10.3390/ijms19010070 


Liu, J., Shimizu, K., & Kondo, R. (2009). Anti-androgenic activity of fatty acids. Chemistry & Biodiversity, 6(4), 503–512. https://doi.org/10.1002/cbdv.200800125

Stanić, V., Brown, J., Eikeland, E., & Midgley, P. A. (2015). Local structure of human hair spatially resolved by sub-micron X-ray beam. Scientific Reports, 5, Article 17347. https://doi.org/10.1038/srep17347 Yang F, Zhang Y, Rheinstädter MC. 2014. The structure of people’s hair. PeerJ 2:e619 https://doi.org/10.7717/peerj.619

AZULAY R. D.; AZULAY D. R.. Dermatologia. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.

BAREL, A. O; MARC, P; HOWARD, I. M. Handbook of Cosmetic Science and Technology. 3 ed. Nova York: Informa Healthcare, 2009. 887p.


FITZPATRICK E. J.; AELING L. J. Segredos em Dermatologia: Respostas necessárias ao dia-a-dia: em rounds, na clínica, em exames orais e escritos. São Paul: Artmed, 2000


Comentários


Prazer, Stefânia!
Sou a criadora do Entre a Pele. Química, especialista em cosmetologia e sustentabilidade, compartilho os bastidores da ciência do skincare. Também falo um pouco sobre estilos de vida, porque tudo está conectado. Mais sobre mim...  
 

Meu Jeito

Sou tão fã da filosofia natural quanto das descobertas científicas. Por isso, você sempre vai encontrar por aqui uma visão equilibrada.

Gosto de dizer que a vida é uma eterna avaliação de risco-benefício. Nada é totalmente seguro ou totalmente tóxico, 100% do bem

ou do mau, e é justamente nessa zona de nuances que gosto de explorar os assuntos.

 

Meu estilo é apresentar os fatos, mas também compartilhar minhas opiniões sobre como lidar com eles. Por isso, vai ser bem comum encontrar por aqui temas polêmicos e, muitas vezes, pontos de vista bem diferentes do senso comum.

 

Curiosidades pessoais...

No meu tempo livre, pedalar por trilhas e cozinhar são meus momentos de mindfulness. Já costura… passo longe! Cada um com seu gosto, né? Ainda bem que o mundo é plural.​​

Buscando Consultoria Especializada?

Assine nossa Newsletter

Se você valoriza conteúdo confiável, bem pensado e difícil de encontrar por aí, esse é o seu lugar.

Obrigado pelo envio!

3468

Copyright © 2026 Origens Comércio de Produtos Cosméticos. Todos os direitos reservados. O conteúdo deste site, fotos, imagens, logotipos, marcas, dizeres, som, software, trade dress (conjunto imagem – lay out) veiculados são de propriedade exclusiva de Origens. É vedada qualquer reprodução, total ou parcial.

bottom of page