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Você está limpando sua pele do jeito certo? Espuma faz mal e não é sinal de limpeza

29 de ago. de 2018
5 min de leitura

Atualizado: 24 de ago.


Imagem: Shutterstock
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Tomar um banho ou lavar os cabelos com bastante espuma costuma ser o desejo de muita gente assim que chega em casa após um longo e estressante dia de trabalho. Aquelas nuvens macias de bolhas são um convite ao relaxamento e à uma deliciosa sensação de limpeza e frescor. Mas você já se perguntou se elas fazem bem para sua pele?

Existe um mito bastante difundido entre as pessoas de que se um sabonete, shampoo ou detergente não faz espuma, isso significa que ele não está limpando. No entanto, você sabe como funciona o mecanismo químico da limpeza?

O MECANISMO DE AÇÃO DA LIMPEZA

Os sabões ou detergentes, sejam eles derivados naturais ou sintéticos, são substâncias quimicamente classificadas como surfactantes ou tensoativos. São moléculas que possuem tanto afinidade com a água quanto com as gorduras (lipídios), sendo capazes de modificar algumas propriedades físico-químicas dos líquidos, formando estruturas chamadas micelas, que envolvem a partícula de caráter gorduroso (apolar), ao mesmo tempo em que se misturam com a água (polar), levando embora a sujeira das superfícies, conforme figura 1, abaixo.

 Figura 1: Ilustração esquematizando o mecanismo de funcionamento das moléculas de surfactantes/tensoativos na remoção da sujeira.
Figura 1: Ilustração esquematizando o mecanismo de funcionamento das moléculas de surfactantes/tensoativos na remoção da sujeira.
A formação da espuma ocorre de modo semelhante ao da remoção da sujeira, mas ao invés de envolver uma partícula de gordura, as moléculas de tensoativo aprisionam o ar em de uma fina camada de água, dando origem à bolha.

Dessa maneira, o que de fato ocorre quando estamos fazendo a limpeza, mas não há formação de espuma ou há muito pouco, é que as moléculas de tensoativos estão, em sua grande maioria, ocupadas removendo a sujeira, sobrando poucas moléculas disponíveis para produzir as bolhas. É por isso que quando fazemos uma segunda lavagem, ocorre a formação de bastante espuma, pois quase toda a sujeira já foi removida na primeira etapa, restando bastante detergente ou sabão livres para formar espuma.

Podemos entender então, que, quando um produto produz muita espuma, significa que ele possui uma concentração significativamente elevada dessas substâncias detergentes. Desse modo, a limpeza pode acabar não só removendo toda a sujeira, como também a gordura boa naturalmente produzida por nossa pele, deixando-a mais pobres em nutrientes e com pouca proteção contra a desidratação.

Além disso, os detergentes que mais produzem espuma são, muitas vezes, também, os mais irritantes e competentes em desequilibrar da camada de proteção natural cutânea, como é o caso do Lauríl Sulfato de Sódio (LSS).


NOSSO CORPO É INTELIGENTE

Nosso organismo produz naturalmente substâncias essenciais para manter o equilíbrio e a saúde do corpo. Com a pele não é diferente: a combinação de sebo, suor e outros componentes forma o chamado manto hidrolipídico, uma camada superficial que ajuda a proteger a pele, reduzir a perda de água, manter sua maciez e dificultar a proliferação de microrganismos potencialmente prejudiciais, além de contribuir para sua defesa contra agressões externas.


O mesmo princípio se aplica aos cabelos, que possuem óleos naturais responsáveis por conferir maciez, maleabilidade e proteção à fibra.

Sendo assim, por que remover completamente essa camada tão preciosa, responsável por contribuir para a saúde e a beleza da pele e dos cabelos?

QUAL É A MELHOR FORMA DE LIMPAR A PELE, ENTÃO?

Imagem: Shutterstock
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Uma limpeza adequada deve ser realizada com frequência moderada, geralmente até 2 vezes ao dia, dependendo do tipo de pele e das necessidades individuais, utilizando agentes de limpeza suaves e de pH compatível com a pele, que minimizem a remoção excessiva do manto hidrolipídico e não irritem ou agridam a epiderme e as cutículas dos cabelos.


Atualmente, muitos produtos de beleza, por produzirem espumação abundante, podem acabar sendo agressivos e ressecando excessivamente a pele, já que removem parcialmente a barreira de proteção natural favorecendo irritações, infecções, o surgimento de processo alergênicos e sinais precoces de envelhecimento cutâneo.


Já os cabelos se mostram ressecados, quebradiços, embaraçados e com frizz, uma vez que as cutículas permanecem abertas e desalinhadas, por perderem os lipídios naturais que as mantém fechadas em uma superfície lisa e uniforme.

Todos os tipos de pele e cabelos se beneficiam da limpeza suave realizada por um sabonete, ou agente limpante, com pouca ou nenhuma espuma.

1. Pele e Cabelos Secos: Na pele e nos cabelos secos há naturalmente uma produção insuficiente do manto hidro lipídico. Por essa razão, não conseguem efetivamente reter água nas camadas internas. Se essa pouca hidratação existente é retirada, a pele se torna áspera e ressecada, ficando vulnerável até mesmo a entrada de microrganismos patogênicos, enquanto os fios ficam rígidos e quebradiços, com formação de pontas duplas e aspecto sem brilho.

2. Pele e Cabelos Oleosos: Por produzirem excesso de gordura podem sofrer o tão famoso efeito rebote quando a camada lipídica é removida em excesso. Essa condição sinaliza ao corpo a necessidade de produção de uma quantidade maior de sebo, na tentativa de repor o que foi retirado, aumentando ainda mais a oleosidade e favorecendo o desequilíbrio das funções metabólicas, podendo surgir ou piorar quadro de acne e cravos.

3. Pele e Cabelos Normais: A pele e os fio normais, possuem quantidade equilibrada de lipídios, sendo necessário apenas a manutenção dessa proteção natural, que, como já se é sabido, não deve ser removida para não causar desequilíbrios.

4. Pele Sensível: dentre todos os tipos de pele, a sensível é a que mais se beneficia com a limpeza suave e sem espuma, já que trata-se de uma pele bastante reativa e com tendência ao desenvolvimento de alergias e irritações.

Sabões tradicionais ou sabonetes em barra comuns (exceto syndets), devem ser evitado por todos os tipos de pele, já que possuem pH muito elevado (alcalino), em torno de 10, enquanto o pH normal da pele é levemente ácido, aproximadamente 5,0. Isso faz com que a pele precise trabalhar mais para restaurar o equilíbrio e manter uma barreira íntegra.

ESPUMA ABUNDANTE FAZ MAL PARA A PELE E PARA O MEIO AMBIENTE

Além dos danos causados a saúde da pele e dos cabelos, a formação excessiva de espuma também prejudica o meio ambiente, favorecendo o desequilíbrio de sistemas aquáticos podendo levar a proliferação desordenada de microrganismos e uma consequente mortandade de peixes, reduzindo a qualidade da água local, podendo até mesmo torná-la imprópria para o consumo humano.

EQUILÍBRIO E MODERAÇÃO SÃO AS CHAVES DO SUCESSO

A limpeza com produtos suaves e realizada sem exageros torna a rotina de cuidados com a beleza ainda mais eficiente, pois uma pele equilibrada pode até mesmo dispensar o uso de outros produtos como, hidratantes pesados, ácidos para o tratamento de cravos e acnes leves e produtos para controlar irritações e alergias.


A diferença é notável e vai te ajudar a ajustar os produtos à sua nova necessidade.


Lee, J., Nikolov, A., & Wasan, D. (2014). Surfactant micelles containing solubilized oil decrease foam film thickness stability. Journal of Colloid and Interface Science, 415, 18–25. https://doi.org/10.1016/j.jcis.2013.10.014


Cui, X., Mao, S., Liu, M., Yuan, H., & Du, Y. (2008). Mechanism of surfactant micelle formation. Langmuir, 24(19), 10771–10775. https://doi.org/10.1021/la801705y


Kligman, A. M. (2012). Understanding the role of natural moisturizing factor in skin hydration. Practical Dermatology


Barel, A. O., Paye, M., & Maibach, H. I. (Eds.). (2009). Handbook of cosmetic science and technology (3rd ed.). Informa Healthcare.


Steventon, K. (2014, June 17). Nature-derived care for sensitive and difficult-to-treat skin types. Cosmetics & Toiletries, 129(6).


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