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Óleo hidrata a pele? A dúvida mais polêmica do skincare

  • 29 de jan. de 2024
  • 6 min de leitura

Atualizado: 11 de ago.

A resposta dessa pergunta vai ficar pro final, porque antes, é necessário entendermos alguns conceitos sobre hidratação da pele que talvez não estejam muito claros. Vamos lá?

Você já se perguntou o que classifica uma pele como hidratada? 

Ah, isso é fácil, você vai me dizer, o que determina é se ela tem água ou não. Tá, aí eu te pergunto: mas se for assim, então para resolver problemas de ressecamento seria só jogar água sobre a pele? Depois do banho, por exemplo, sua pele já sai hidratada? Parece que não é bem assim, né?


Água é preciso? Com certeza! Mas de que maneira ela é mantida na pele e por quanto tempo, é outro fator tão importante quanto a presença dela em si.


Como você já sabe, ter água na pele é fundamental, pois ela proporciona elasticidade e participa de muitas funções metabólicas. Contudo, para que esses efeitos sejam mantidos, a água precisa permanecer na pele, o que não acontece simplesmente ao colocar água livre sobre sua superfície.

E por que isso não acontece?


Porque parte dessa água evapora rapidamente para o ambiente. Por isso, para manter a hidratação da pele, nosso próprio organismo utiliza diferentes mecanismos, entre eles:


  1. substâncias umectantes: componentes hidrossolúveis, como aminoácidos, açúcares e sais presentes no fator natural de hidratação (NMF), possuem alta afinidade com a água e ajudam a retê-la no estrato córneo, reduzindo sua perda para o ambiente.

  2. lipídios: componentes como ceramidas, colesterol e ácidos graxos, presentes principalmente no espaço intercelular do estrato córneo, formam uma estrutura organizada que reduz a perda de água transepidérmica e ajuda a manter a função de barreira da pele.

Nesse ponto, antes de prosseguirmos, é muito importante que você entenda que, cientificamente, a hidratação da pele está relacionada à quantidade de água presente no estrato córneo e à sua capacidade de retenção.

Isso significa que aumentar a hidratação é, de maneira simplificada, aumentar a quantidade de água disponível e retida no estrato córneo em relação à sua condição habitual.


E isso não depende de uma única forma de atuação: pode acontecer tanto pela atração e retenção de moléculas de água por substâncias umectantes quanto pela redução da evaporação da água que já está presente na pele, por meio de substâncias oclusivas e da própria restauração da barreira cutânea, desde que, ao final, haja efetivamente um aumento ou manutenção da água no estrato córneo.

Então vamos à explicação sobre a relação entre os óleos e a hidratação.


Óleos são substâncias predominantemente lipídicas, com estrutura molecular bem diferente da água e, portanto, não possuem afinidade com ela da mesma maneira que os umectantes. Em geral, eles não atraem água para si, mas atuam principalmente reduzindo sua perda para o ambiente.


O mecanismo de hidratação aqui funciona de uma maneira diferente: os óleos formam um filme parcialmente oclusivo sobre a pele, reduzindo a perda de água por evaporação e, consequentemente, aumentando a quantidade de água retida na pele e melhorando sua hidratação.


Mas não é só isso. Alguns óleos vegetais também contêm componentes biologicamente ativos, como ácidos graxos, vitaminas e compostos antioxidantes, que podem contribuir para a manutenção da barreira cutânea e, indiretamente, para a hidratação da pele.

1. Produção de Ceramidas: ácidos graxos insaturados, como o linoleico, agem como precursores e substratos para que os queratinócitos possam sintetizar importantes ceramidas que fortalecem a função barreira, como a acilceramida. O estrato córneo (camada mais externa da pele) é como se fosse uma parede de cimento e tijolinhos, onde a ceramida faz o papel do cimento, mantendo as células de queratina (que são os tijolinhos) bem coesas e fechadinhas, garantindo que a água de dentro da pele não escape para a atmosfera.

2. Produção de Ácido Hialurônico: determinados carotenoides, especialmente aqueles que atuam como precursores ou derivados da vitamina A, podem estimular processos relacionados à síntese de ácido hialurônico na pele. Como você certamente já sabe, o ácido hialurônico possui uma enorme capacidade de reter água e, por isso, contribui significativamente para a hidratação, a elasticidade e a aparência mais preenchida e uniforme da pele.


3. Microbioma Saudável: os óleos vegetais também fornecem "alimento" para as bactérias boas presentes em nossa pele, que em troca, também ajudam a proteger e restaurar a barreira de proteção da pele, reduzindo a perda de água por evaporação.


Então, sim: os óleos podem aumentar a hidratação da pele de maneira significativa, principalmente porque reduzem a perda de água transepidérmica. Em determinadas situações, seu efeito pode ser mais duradouro do que o de umectantes utilizados isoladamente, especialmente quando a barreira cutânea está comprometida.


Os umectantes atraem e retêm água no estrato córneo, e isso é superimportante. Entretanto, dependendo das condições ambientais e da formulação, eles podem não ser suficientes, sozinhos, para impedir a perda dessa água. É aí que entram os óleos, manteigas, ceras e outros agentes oclusivos ou emolientes, que ajudam a reduzir a perda de água e a melhorar a função da barreira cutânea.

Não sei se você já percebeu, mas os cremes intensivos e mais hidratantes desenvolvidos para peles muito secas geralmente contém maiores concentrações de lipídeos, não tanto de umectantes, e isso de deve a justamente a alta efetividade das gorduras em reduzir a perda de água transepidérmica. 


Por isso, não queremos minimizar a importância dos umectantes, de forma alguma. Eles são fundamentais e podem ser muito eficazes. O que queremos mostrar é que, sim, os óleos também são capazes de elevar o nível de hidratação da pele, só que através de outros mecanismos de ação.

Mas enfim, os óleos vegetais são absorvidos ou ficam sobre a pele?


As duas coisas podem acontecer. Estudos indicam que determinados componentes dos óleos vegetais podem penetrar na pele, já que muitos deles são ricos em ácidos graxos, substâncias lipídicas amplamente utilizadas nas indústrias farmacêutica e cosmética justamente por sua capacidade de interagir com a barreira cutânea e, em alguns casos, favorecer a permeação de outros ingredientes ativos.


Os ácidos graxos possuem afinidade com os componentes lipídicos da barreira cutânea e, dependendo de sua estrutura química, podem penetrar no estrato córneo e alcançar camadas mais profundas da epiderme. Nessas regiões, alguns deles podem participar de processos metabólicos da própria pele, contribuindo para a manutenção e recuperação da barreira cutânea e para a síntese de seus componentes lipídicos, como as ceramidas, como citamos anteriormente.


Contudo, essa penetração não significa que todo o óleo seja rapidamente absorvido. Parte significativa permanece sobre a superfície da pele, formando um filme que ajuda a reduzir a perda de água. Dessa forma, os dois mecanismos podem acontecer simultaneamente: enquanto alguns componentes do óleo penetram e interagem com a pele, a fração que permanece na superfície contribui para manter a água retida por mais tempo, favorecendo ainda mais a hidratação cutânea.

Como inserir os óleos naturais em sua rotina de beleza

Você pode usar os óleos naturais diretamente sobre a pele limpa, especialmente após o banho, pra nutrir e segurar aquela umidade boa que a pele acabou de receber.


Você também pode misturar um pouquinho no seu hidratante, se você quiser deixá-lo ainda mais potente. Não faça essa misturinha diretamente no frasco do seu creme, apenas naquele pouquinho que você coloca nas mãos, antes de aplicar o produto. 

Você pode usar assim:

  1. pingue de 2 a 3 gotinhas na palma de sua mão. Só isso, você me pergunta. Sim. Óleos faciais normalmente são bem concentrados, então você só precisa de um pouquinho para ter bons resultados. 

  2. esfregue as mãos uma na outra e deposite o óleo sobre a pele limpa e seca, massageando para espalhar bem. 

No fim das contas, cuidar da pele não precisa ser complicado. Às vezes, algumas gotinhas do óleo certo já são suficientes para oferecer nutrição, conforto e aquele viço saudável que tanto gostamos de ver no espelho.

 

Referências

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Sousa, J. D. P. S., Feitosa, R. S., Lira, B. S. M. M., Medeiros, M. G. F., & Carvalho, A. L. M. (2021). Vegetable oils as skin penetration enhancer in topical and transdermal anti-inflammatory formulations: An integrative review. Research, Society and Development, 10(12), Artigo e541101220308. doi.org


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Rittié, L. (2017). Method for direct measurement of transepidermal water loss. Journal of Investigative Dermatology, 137(7), e143–e147. doi.org


Mojumdar, E. H., Pham, Q. D., Topgaard, D., & Sparr, E. (2017). Skin hydration: Interplay between molecular dynamics, structure and water uptake in the stratum corneum. Scientific Reports, 7, Artigo 15712. doi.org


 

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Prazer, Stefânia!
Sou a criadora do Entre a Pele. Química, especialista em cosmetologia e sustentabilidade, compartilho os bastidores da ciência do skincare. Também falo um pouco sobre estilos de vida, porque tudo está conectado. Mais sobre mim...  
 

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