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Em Defesa do Tônico Facial

  • há 2 dias
  • 4 min de leitura
Frasco verde translúcido com líquido, deitado sobre fundo bege, projetando sombra longa e dramática.
Imagem: Pexels

Venho por meio deste manifestar meu apoio ao uso do tão discriminado tônico. Mas antes faço uma ressalva: me refiro aos tônicos mais modernos, com fórmulas mais ricas, livres de altas concentrações de álcool e de agentes de limpeza. Esse papel de limpar é para os limpadores de fato, como os sabonetes as águas micelares.


Voltando.


Tônico, essência, mist, bruma: todos são produtos de uma mesma categoria, geralmente posicionada entre a limpeza e a hidratação. Muitos deles até podem ser usados como finalizadores, mas falo mais sobre isso depois.


Eu sei, eu sei. Se você é dermatologista ou da turma hardcore do skincare minimalista, vai me dizer que esse é um produto totalmente dispensável, que a rotina obrigatória envolve apenas três passos: limpeza, hidratação e proteção solar.


Pois saiba que eu não discordo de você. Inclusive, já fiz um post sobre isso, que pode ser lido aqui . Porém, contudo, no entanto, eu quero trazer um olhar um pouco mais aprofundado sobre a importância do tônico. Quem sabe você não reconsidera o uso e o encaixa como um grande aliado na sua rotina, se houver espaço?


Permita-me.


Começando pelo começo: o que é um tônico?

O tônico é, primordialmente, um veículo aquoso que tem como principal função adicionar uma camada extra de cuidado à pele. Essa camada pode englobar hidratação, esfoliação suave, equilíbrio do pH, ação antioxidante e atividade anti-inflamatória.

Aí você vai me dizer: "Mas isso os produtos de limpeza e hidratação já fazem."

E eu te respondo: nem sempre.

Existem muitas barreiras que limitam essa criação utópica de produtos perfeitos que atendam a todas as necessidades da pele em uma única tacada.

Me acompanha.

Os obstáculos das fórmulas

Quando formulamos um produto, em quase 100% das vezes não conseguimos colocar todos os ingredientes que gostaríamos em um único frasquinho. Isso acontece porque existem incompatibilidades entre os próprios ingredientes, tanto em termos de interações químicas indesejadas quanto em termos de textura, sensorial e estabilidade desejados.

Se eu estou fazendo um produto oleoso, por exemplo, como um cleansing oil, um balm, uma barra ou um óleo facial de tratamento, fica muito difícil misturar ingredientes maravilhosos que são solúveis em água, como ácidos, niacinamida, glicerina, pantenol, prebióticos, entre outros.

E o inverso também acontece. Se estou produzindo um sérum levinho à base de água, também fica difícil incorporar óleos botânicos incríveis nem ingredientes como o retinol, por exemplo.

Mas aí, claro, alguém vai dizer: "Faça um creme, ué, que é a mistura da fase aquosa com a oleosa."

Ok. Mas, além de nem sempre essa ser uma textura desejada - como no caso das pessoas com pele oleosa - uma emulsão também nem sempre é suficiente para comportar uma fórmula com muitos ingredientes, porque as chances de algo dar errado são enormes.


Vocês não têm ideia da dificuldade que é estabilizar e preservar uma emulsão!


Incompatibilidades existem aos montes. Ingredientes reagem entre si, oxidam e desativam outros, desorganizam as estruturas dos cremes e loções, prejudicam a absorção de outros ativos e acabam comprometendo grande parte da função e benefícios do produto final.


Além disso, tem também:


O fator comportamento do consumidor

A gente sempre tende a achar que o problema está só na indústria, mas eu diria que nós, consumidores, também carregamos nossa parcela de responsabilidade.


Muitos de nós não usamos protetor solar da maneira correta, por exemplo - quando usamos. E isso intensifica o processo natural de oxidação da pele, que já não é favorecido por hábitos como sedentarismo, má alimentação, consumo excessivo de álcool e cigarro, e também pela poluição atmosférica. Pra uma pessoa viva qualquer, isso é parte de uma rotina normal.


Tudo isso resulta em uma pele mais fragilizada, com aspecto mais cansado, além de acelerar o processo natural de envelhecimento, com o surgimento precoce de rugas e manchas. O que faz a indústria lançar mão de outros tipos de produtos e estratégias para compensar esses problemas e adaptar melhor os cuidados à rotina real das pessoas.


Além do mais, nunca existe unanimidade quando falamos de textura, fragrância, forma de aplicação e sensorial. É impossível agradar gregos e troianos.


Então como o tônico se encaixa na rotina de skincare?

Por ser aquoso, o tônico normalmente apresenta uma textura extremamente leve, que praticamente desaparece na pele, sem deixar toque desagradável nem gerar incompatibilidades com os produtos aplicados em seguida.


Quando aplicamos um tônico, adicionamos mais uma camada de ingredientes benéficos para a pele, algo que na maioria das vezes um produto sozinho não conseguiria entregar, pelos motivos já citados anteriormente.

E existe também a questão financeira. Formular um limpador, hidratante ou protetor solar extremamente complexo e rico em ativos custa caro, o que acaba inviabilizando o acesso para uma parcela significativa dos consumidores.


Sem falar na rotina corrida. Hoje em dia ninguém tem tempo para nada e todo mundo quer produtos fáceis de aplicar e de rápida absorção.

Às vezes, tudo o que dá para fazer é espalhar algumas gotinhas de tônico nas mãos, aplicar rapidamente no rosto e ir dormir porque o cansaço venceu. Ou correr para o trabalho porque já está atrasada.


E tudo bem. Já é alguma coisinha. Um cuidado mínimo que está lá, fazendo seu papel.


Melhor do que nada.


No caso das brumas em spray, existe ainda a praticidade de poder utilizá-las como finalizadoras, inclusive após a maquiagem, para dar um up e devolver um pouco de viço à pele no meio da correria do dia.


Fácil de aplicar. Fácil de carregar. Fácil de reaplicar.


Veredito

Indispensável, ele não é. Mas, com toda certeza, pode ser um aliado extremamente proveitoso.

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Prazer, Stefânia!
Sou a criadora do Entre a Pele. Química, especialista em cosmetologia e sustentabilidade, compartilho os bastidores da ciência do skincare, baseado em evidências. Também falo um pouco sobre estilos de vida, porque tudo está conectado. Mais sobre mim...  
 

Meu Jeito

Sou tão fã da filosofia natural quanto das descobertas científicas. Por isso, você sempre vai encontrar por aqui uma visão equilibrada.

Gosto de dizer que a vida é uma eterna avaliação de risco-benefício. Nada é totalmente seguro ou totalmente tóxico, 100% do bem

ou do mau, e é justamente nessa zona de nuances que gosto de explorar os assuntos.

 

Meu estilo é apresentar os fatos, mas também compartilhar minhas opiniões sobre como lidar com eles. Por isso, vai ser bem comum encontrar por aqui temas polêmicos e, muitas vezes, pontos de vista bem diferentes do senso comum.

 

Se você tem a mente aberta, me acompanha nessa jornada. Tenho a sensação de que você vai gostar!

Curiosidades pessoais...

No meu tempo livre, pedalar por trilhas e cozinhar são meus momentos de mindfulness. Já costura… passo longe! Cada um com seu gosto, né? Ainda bem que o mundo é plural.​​

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