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Qual a diferença Oficial entre Cosméticos Naturais, Orgânicos e Veganos?

  • 19 de jun.
  • 9 min de leitura

Atualizado: 21 de jul.


Imagem: shutterstock
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Nota: Este artigo foi originalmente publicado em 2020, mas foi totalmente revisado e atualizado em junho de 2026 para refletir as alterações nas regulamentações vigentes das principais certificadoras do mercado de cosméticos orgânicos, naturais e veganos.



Hoje em dia são tantos os selos e certificações para cosméticos, que ficamos confusos e sem saber quais são de fato importantes para o que nós estamos buscando em um produto, e quais estão alinhados à nossa filosofia ou estilo de vida pessoal.


As palavras natural, orgânico, vegano e biodinâmicos remetem a ideias muito similares, são todas relacionadas à natureza, mas na verdade cada uma carrega um conceito diferente.

Como a gente sabe o quanto é difícil entender e diferenciar todos esses selos e classificações, decidimos montar um guia completo para te ajudar a entender o que cada marca e produto oferece. É importante ressaltar que todas as explicações que colocamos aqui foram retiradas das regulamentações das próprias organizações certificadoras, as quais você pode consultar acessando diretamente os links que disponibilizamos ao final deste post.


Então, vamos começar pelos conceitos básicos de uma fórmula cosmética: os ingredientes.



CLASSIFICANDO INGREDIENTES


Ingredientes Naturais: são substâncias de origem vegetal, inorgânica-mineral ou animal, que não sofreram transformações químicas, apenas alguns processos físicos são permitidos em geral, tais como: extrações e percolações com solventes em substratos naturais, utilização de agentes de purificação, como carvão ativado, adição de compostos iônicos para pequenos ajustes de pH, entre outros (IBD Certificações, 2022).


Ingredientes Derivados Naturais: são matérias-primas de origem natural, porém que passaram por determinados processos de transformações químicas ou biotecnológicas, mas que oferecem riscos mínimos à saúde. Seu uso é justificado devido ao fato de possibilitarem funções não oferecidas por ingredientes puramente naturais e não processados. Um exemplo é a classe de substâncias conhecida como tensoativos ou surfactantes, pois somente esses compostos de ação detergentes são capazes de efetuar a interação entre sujeira/gordura + água, funcionando como um agente de limpeza em sabões e sabonetes, ou um emulsionante, ingrediente responsável por misturar óleos e água e assim formar cremes e loções (emulsões) (IBD Certificações, 2022).


CLASSIFICANDO PRODUTOS FINAIS


A legislação brasileira, assim como a européia e a norte-americana, não possui uma classificação oficial para cosméticos naturais. Quem faz isso, são organizações independentes não-governamentais com o objetivo de manter a segurança e proteger os interesses dos consumidores desse tipo de produto.


Empresas Certificadoras para Cosméticos Naturais e Orgânicos

As organizações certificadoras para cosméticos naturais e orgânicos mais conhecidas local e mundialmente são:


COSMOS: O padrão COSMOS é administrado por uma associação internacional, independente e sem fins lucrativos, sediada em Bruxelas. Seus membros fundadores, BDIH (Alemanha), Cosmebio (França), Ecocert (França), ICEA (Itália) e Soil Association (Reino Unido), contribuem continuamente com sua experiência para o desenvolvimento e a gestão do padrão (COSMOS-standard AISBL, s.d.).


QIMA IBD: Certificadora internacional especializada em produtos orgânicos, sustentabilidade e segurança de cadeias de suprimentos. Com atuação no Brasil e em diversos outros países, oferece certificações, auditorias e soluções de conformidade para ajudar empresas a demonstrar a qualidade, a rastreabilidade e a sustentabilidade de seus produtos (QIMA, 2022).


NATRUE (The International Natural and Organic Cosmetics Association): fundada em Bruxelas, trata-se de uma associação internacional, sem fins lucrativos, comprometida em promover e proteger os cosméticos naturais e orgânicos ao redor do mundo (NATRUE, s.d.).



Cosméticos Naturais - Classificações


COSMOS

Para obter a certificação COSMOS NATURAL, o padrão não estabelece uma concentração mínima de ingredientes naturais nem uma concentração mínima de ingredientes orgânicos equivalente àquelas encontradas em alguns outros selos. O requisito central é que os ingredientes utilizados sejam de origem natural ou pertençam às categorias e processos permitidos pelo padrão COSMOS. Nesse caso o selo COSMOS NATURAL é aplicado e a concentração declarada de ingredientes de origem natural precisa ser informada no rótulo (COSMOS-standard AISBL, 2025).


Selo Ingredientes Naturais Qima (IBD) A certificação destina-se a cosméticos e ingredientes naturais e não estabelece um teor mínimo de ingredientes orgânicos. A certificação exige o uso de matérias-primas naturais, derivadas do natural ou idênticas às naturais, além de proibir organismos geneticamente modificados, testes em animais e determinadas substâncias sintéticas. O processo de certificação também avalia aspectos como rastreabilidade, origem das matérias-primas, formulação e conformidade legal do produto (QIMA, n.d.).


NATRUE

De acordo com a NATRUE, os requisitos para cosméticos naturais variam conforme a categoria do produto. Em produtos ricos em água, como cremes, loções e géis, é exigido um mínimo de 10% de substâncias naturais e um máximo de 25% de derivados naturais. Para produtos de limpeza contendo surfactantes, como muitos sabonetes líquidos, o mínimo é de 3% de substâncias naturais e o máximo de 85% de derivados naturais. Já para sabões sólidos, exige-se pelo menos 1% de substâncias naturais e permite-se até 99% de derivados naturais. Esses percentuais refletem a necessidade tecnológica de utilizar ingredientes obtidos por transformação química de matérias-primas naturais, especialmente em produtos de limpeza. (NATRUE, s.d.).



Cosméticos Orgânicos - Classificação


NATRUE

No caso dos cosméticos orgânicos, as exigências são ainda maiores e mais rigorosas com relação à origem dos ingredientes.

De acordo com a NATRUE e a legislação brasileira, para um cosmético ser classificado como orgânico, é necessário que a formulação do produto seja composta por pelo menos 95% de matérias-primas de origem orgânica certificada. Caso o produto final não possa ser classificado como orgânico, para ao menos receber a classificação 'Feito com Ingredientes Orgânicos', a concentração mínima exigida de matérias-primas orgânicas é de 70% (NATRUE, s.d.).


COSMOS ORGANIC

Para que um cosmético seja certificado como COSMOS ORGANIC, pelo menos 20% da composição total do produto deve ser proveniente de ingredientes orgânicos. A exigência é reduzida para 10% em produtos enxaguáveis, produtos aquosos não emulsionados (como alguns sabonetes líquidos transparentes) e produtos que contenham pelo menos 80% de ingredientes de origem mineral, como determinadas maquiagens minerais (COSMOS-standard AISBL, 2025).


Isso significa que, mesmo em cosméticos orgânicos, é permitida a utilização de ingredientes obtidos por transformações químicas autorizadas de matérias-primas naturais. Essa flexibilidade é necessária para viabilizar a formulação de diversos produtos, como cremes, loções, sabonetes, perfumes e produtos alcoólicos, que frequentemente dependem de emulsificantes, surfactantes, conservantes e outros ingredientes derivados de processos químicos compatíveis com os critérios do padrão, que podem envolver reações com substâncias sintéticas.


É importante destacar que a classificação natural ou orgânica não é composta apenas por ingredientes vegetais, mas também animais, tais como, lanolina, cera de abelha, mel, própolis, ácidos graxos, etc. A classificação que exclui os ingredientes derivados de animais é a vegana, sobre a qual vamos falar mais a seguir. Portanto, um cosméticos natural ou orgânico não é necessariamente vegano, por isso muitos produtos carregam mais de uma certificação.


COSMÉTICOS VEGANOS


Cosméticos veganos não são classificados com base na presença ou ausência de ingredientes naturais ou orgânicos. O que define um produto vegano é a completa ausência de ingredientes de origem animal, inclusive aqueles utilizados indiretamente durante a fabricação de outros ingredientes, sejam eles naturais ou sintéticos.

Além disso, a não realização de testes em animais, tanto dos ingredientes utilizados na formulação quanto do produto final, também é uma exigência.


Aqui é importante destacar que, para ser considerado vegano, um cosmético não precisa necessariamente ser natural ou orgânico. Um produto inteiramente sintético, por exemplo, pode ser classificado como vegano, desde que não contenha ingredientes de origem animal e não tenha sido testado em animais.


E CRUELTY FREE, O QUE É?


A tradução livre do termo inglês Cruelty Free é "Livre de Crueldade". Ele é aplicado a produtos cosméticos de qualquer categoria, naturais, orgânicos, veganos ou sintéticos, que não tenham sido testados em animais.


Essa certificação é importante porque, infelizmente, os testes em animais ainda fazem parte da realidade de alguns segmentos da indústria cosmética, podendo causar sofrimento e, em alguns casos, até a morte dos animais envolvidos. O objetivo desses testes é avaliar a segurança dos produtos para uso humano.


Existem diferentes metodologias para realizar avaliações de segurança. No entanto, os testes em animais ainda são frequentemente escolhidos por apresentarem custos mais baixos quando comparados a métodos alternativos mais modernos e tecnologicamente avançados. Em muitos casos, esses métodos alternativos conseguem fornecer resultados igualmente confiáveis sem a necessidade de causar sofrimento animal.

Importante: um cosmético Cruelty Free pode conter ingredientes de origem animal, como cera de abelha, mel, lanolina, leite ou proteínas da seda. Portanto, Cruelty Free não é sinônimo de vegano. De forma geral, o conceito vegano possui critérios mais amplos relacionados ao bem-estar animal e considera também a origem dos ingredientes utilizados. Já a classificação Cruelty Free está associada à não realização de testes em animais, embora os critérios específicos possam variar entre certificadoras, como veremos a seguir.

Selos de Certificadoras para Cosméticos Veganos e Cruelty Free


Dentre as principais organizações certificadoras de cosméticos veganos e cruelty free, nacional e internacionalmente reconhecidas, se encontram:


Sociedade Vegetariana Brasileira: fundada em 2003, a associação promove o veganismo como uma opção de estilo de vida mais saudável, sustentável e socialmente justo. Por meio de campanhas e parcerias, realiza a conscientização sobre os benefícios do vegetarianismo e trabalha para aumentar o acesso da população a produtos e serviços veganos (Sociedade Vegetariana Brasileira [SVB], s.d.).


The Vegan Society: uma das associações mais antigas, estabelecida em 1944 e fundada no Reino Unido, a Vegan Society criou um dos selos veganos mais famosos, reconhecido mundialmente e utilizado desde de 1990 para ajudar as empresas do setor a demonstrar que seus produtos atendem aos requisitos de bem-estar animal estabelecidos pela organização (The Vegan Society, s.d.).


PETA (People for the Ethical Treatment of Animals): maior ativista e maior organização mundial de defesa dos direitos dos animais, possuindo mais de 10.4 milhões de apoiadores ao redor do mundo. Seu programa Beauty Without Bunnies certifica empresas cosméticas que garantem que toda a sua cadeia produtiva atendem aos requisitos de não realização qualquer tipo de testes em animais, além da não utilização nenhum de seus ingredientes derivados (People for the Ethical Treatment of Animals [PETA], s.d.).


Leaping Bunny Program (Coalition for Consumer Information on Cosmetics): programa de certificação administrado por uma coalizão de organizações de proteção animal sediadas nos Estados Unidos e no Canadá. Criado em 1996, o programa estabelece um padrão internacionalmente reconhecido para identificar produtos que não realizam testes em animais em nenhuma etapa do desenvolvimento, incluindo ingredientes, formulações e fornecedores. Por meio de auditorias e mecanismos de verificação, o Leaping Bunny certifica empresas comprometidas com práticas livres de testes em animais, oferecendo aos consumidores uma referência confiável para escolhas mais alinhadas ao bem-estar animal (Leaping Bunny Program, n.d.).


No caso das certificadoras veganas e cruelty free, existe uma ampla convergência entre os princípios que fundamentam seus selos, especialmente em relação à não utilização de ingredientes de origem animal e à não realização de testes em animais. No entanto, cada organização possui critérios específicos, diferentes níveis de exigência e métodos próprios de avaliação, auditoria e monitoramento para concessão e manutenção da certificação.



AGRICULTURA BIODINÂMICA - UM DEGRAU ALÉM



 Foto por Flora Westbrook
Foto por Flora Westbrook

A agricultura biodinâmica possui muitas semelhanças com o cultivo orgânico e tem como principal foco a certificação da qualidade dos ingredientes produzidos, e não dos produtos finais em si, independentemente de sua origem vegetal ou animal.


Essa filosofia é baseada em uma visão integrada da propriedade rural, frequentemente associada aos princípios da economia circular. Nela, busca-se manter um equilíbrio entre a quantidade de animais criados e a capacidade da própria fazenda de produzir os recursos necessários para alimentá-los. O esterco proveniente desses animais é utilizado para promover a fertilidade do solo, contribuindo para a manutenção de um ecossistema mais saudável e reduzindo a dependência de fertilizantes sintéticos e outros insumos externos.


Trata-se de um sistema interdependente, no qual solo, plantas, animais e seres humanos são vistos como partes de um mesmo organismo agrícola (Demeter International e.V., n.d.).


Dessa forma, a utilização de ingredientes provenientes desse tipo de cultivo pode agregar valor aos produtos cosméticos, especialmente sob a perspectiva da sustentabilidade, da rastreabilidade e do manejo regenerativo dos recursos naturais.


Selo da Agricultura Biodinâmica


No universo da agricultura biodinâmica, a certificação mais reconhecida internacionalmente é a Demeter. No Brasil, a certificação também pode ser obtida por meio da QIMA IBD, organismo responsável pela auditoria e implementação dos padrões Demeter no país (QIMA, 2022).



CONCLUSÃO

Ao observar todas essas certificações, natural, orgânico, vegano, cruelty free e biodinâmico, fica claro que não existe uma única definição de “cosmético ideal”, nem uma hierarquia entre elas. Cada selo reflete um conjunto específico de critérios, prioridades e formas de enxergar a relação entre ingredientes, meio ambiente, bem-estar animal e processos produtivos.

Mais do que certo ou errado, o que existe são diferentes propostas de consumo e de produção, que atendem a valores e necessidades distintas. Por isso, entender essas diferenças permite escolhas mais conscientes e alinhadas ao que cada pessoa considera importante no cuidado com a pele e com o mundo ao seu redor.


FAQ Jogo Rápido


  1. Natural e orgânico são a mesma coisa? Não. Natural usa ingredientes de origem natural; orgânico exige matérias-primas cultivadas sem agrotóxicos e com certificação específica.

  2. Todo cosmético orgânico é natural? Sim. Produtos orgânicos são feitos a partir de ingredientes naturais certificados.

  3. Todo cosmético natural é orgânico? Não. Natural não necessariamente tem certificação orgânica.

  4. Vegano significa natural? Não. Vegano apenas indica ausência de ingredientes de origem animal.

  5. Vegano significa cruelty free? Sim, já que o veganismo não tolera qualquer crueldade animal.

  6. Cruelty free significa vegano? Não. Cruelty free indica ausência de testes em animais, mas pode conter ingredientes de origem animal.

  7. Um cosmético sintético pode ser vegano? Sim. Desde que não tenha ingredientes de origem animal nem testes em animais.

  8. Produtos naturais são sempre livres de testes em animais? Não. “Natural” não garante ausência de testes em animais.



REFERÊNCIAS:

IBD Certificações. (2022, 25 de maio). Diretriz IBD cosméticos (8ª ed., doc. 8_1_2_C). QIMA IBD. https://content.qima.com/rs/944-QDO-384/images/%5BPT%5D8_1_2_C_Diretrizes_IBD_Cosmeticos_25052022.pdf?version=0


QIMA. (2022, August 4). Introducing QIMA IBD – Latin America's leading certifier for organic products. QIMA. https://www.qima.com.br/newsroom/news/ibd-acquisition



COSMOS-standard AISBL. (s.d.). COMSMOS-standard: Certified organic and natural cosmetics. https://www.cosmos-standard.org/en/


COSMOS-standard AISBL. (2025, September 1). COSMOS-standard technical guide (Version 4.2). https://media.cosmos-standard.org/filer_public/43/a2/43a20531-d35d-46c2-9928-50a4f145d2b1/cosmos-standard_technical_guide_v4-2.pdf 


NATRUE. (s.d.). About us. https://natrue.org/about-us/


NATRUE. (s.d.). Standard documents. https://natrue.org/our-standard/documents/


Sociedade Vegetariana Brasileira. (s.d.). Sobre a SVB. https://svb.org.br/a-svb/sobre-a-svb/



People for the Ethical Treatment of Animals. (s.d.). PETA's ultimate cruelty-free list. https://www.peta.org/lifestyle/personal-care-fashion/petas-ultimate-cruelty-free-list/


Leaping Bunny Program. (n.d.). About Leaping Bunny. Retrieved June 19, 2026, from https://www.leapingbunny.org/about/about-leaping-bunny


Demeter International e.V. (n.d.). Demeter biodynamic certification. https://www.demeter.net


Prazer, Stefânia!
Sou a criadora do Entre a Pele. Química, especialista em cosmetologia e sustentabilidade, compartilho os bastidores da ciência do skincare. Também falo um pouco sobre estilos de vida, porque tudo está conectado. Mais sobre mim...  
 

Meu Jeito

Sou tão fã da filosofia natural quanto das descobertas científicas. Por isso, você sempre vai encontrar por aqui uma visão equilibrada.

Gosto de dizer que a vida é uma eterna avaliação de risco-benefício. Nada é totalmente seguro ou totalmente tóxico, 100% do bem

ou do mau, e é justamente nessa zona de nuances que gosto de explorar os assuntos.

 

Meu estilo é apresentar os fatos, mas também compartilhar minhas opiniões sobre como lidar com eles. Por isso, vai ser bem comum encontrar por aqui temas polêmicos e, muitas vezes, pontos de vista bem diferentes do senso comum.

 

Curiosidades pessoais...

No meu tempo livre, pedalar por trilhas e cozinhar são meus momentos de mindfulness. Já costura… passo longe! Cada um com seu gosto, né? Ainda bem que o mundo é plural.​​

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